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Nova Economia e ESG
















Por que a conectividade impulsiona soluções sustentáveis?





Diego Barreto*

 

Nunca se falou tanto em ESG [Environmental, Social and Governance; em português, os fatores Ambientais, Sociais e de Governança]. Embora a ideia não seja nova - vem sendo discutida pela sociedade desde os anos 1960, principalmente por meio de ONGs e comunidades científicas - , ganhou bastante força nos últimos anos por ter finalmente sido “abraçada” pelo setor financeiro. Hoje, empresas de todos os portes e segmentos - tanto da Nova Economia quanto da Velha Economia- trabalham para estarem de acordo com os três requisitos.

 

Não é à toa que as questões ligadas à preservação do meio ambiente, sociais e de governança empresarial estejam tão em evidência. Isso porque os jovens de hoje estão cada vez mais atentos a essa tendência, e a cada dia buscam associar-se a marcas e empresas que estejam comprometidas com as causas sociais, ambientais e éticas. Sendo assim, tanto os consumidores quanto os investidores -e também muitos dos colaboradores das empresas-, se importam com os conceitos da sigla. 

 

Nesse sentido, passou a ser impossível as empresas “fecharem os olhos” para tais questões, caso contrário, poderão sofrer impactos negativos- inclusive no aspecto financeiro. Com isso, a preocupação das corporações com o ESG cresceu muito e a sigla passou a ser vista com um valioso item de investimento - ou seja, hoje gerar lucros para os acionistas passa, inevitavelmente, pela responsabilidade social. 

 

Segundo pesquisa recente da consultoria Robert Half, em que foram entrevistados executivos de empresas, muitas corporações já perceberam que as práticas ESG podem ser um importante fator de competitividade. Entre as principais vantagens que uma corporação tem ao ter uma agenda ESG, foram citadas pelos entrevistados: melhora na imagem da empresa (55% apontaram isso), aumento da confiança do investidor (34%) e atração e retenção de talentos (33%).

 

Nova Economia x ESG

 

E onde a Nova Economia se encaixa nesse contexto? A Nova Economia - ou seja, o ecossistema de empresas disruptivas que, em grande parte, lidam com ultra conectividade, tecnologia e informação em tempo real- pode ser uma grande aliada das práticas de ESG e dos negócios sustentáveis. 

 

Isso porque a tecnologia utilizada nos negócios da Nova Economia permite a escalabilidade de soluções -  sejam elas logísticas, de meios de pagamentos, ou também  sustentáveis (ligadas à preservação ambiental, aspectos éticos e sociais). 

 

Como um exemplo, podemos imaginar que Mercado Livre decida promover um ajuste em um determinado produto, que leve à redução do desperdício de plástico nas embalagens. Se isso acontecer, automaticamente, devido à conectividade, essa decisão impactará as dezenas de milhares de lojas que vendem por meio da plataforma. O mesmo acontece, também, com o Magalu e o B2W, apenas para citar alguns exemplos. Então, por causa da conectividade e do uso de APIs, uma decisão que gere impacto positivo automaticamente se estende para a operação de centenas de milhares de parceiros. E isso é uma notícia muito boa (e sustentável).

 

Nova Economia x Economia Circular

 

Outra solução que ganhou força recentemente devido à conectividade e integração proporcionadas pela Nova Economia é a da Economia Circular.  Inspirada no funcionamento da natureza - que gera recursos a longo prazo num processo contínuo de reaproveitamento- a economia circular promove o reaproveitamento de recursos em um novo ciclo de produção, uma vez que deixam de ser somente explorados e descartados como “lixo”. Não se trata de reciclar, mas sim de encontrar destinações futuras já durante o processo de concepção. 

 

Um relatório sobre economia circular do grupo Circle Economy, publicado em  2019, indica que apenas 9% da economia mundial é circular -  esse número não avançou de forma significativa desde então. No entanto, apesar da lentidão no avanço desse modelo econômico, a cada ano mais produtores ‒ de grande, médio, pequeno ou de micronegócio –  aderem a esse padrão de produção, que beneficia a sociedade. 

 

A integração das cadeias de produção e de serviços (globalização), a tecnologia e a ultraconectividade - conceitos da Nova Economia - viabilizam a economia circular. Ou seja, existe muita semelhança entre a proposta da economia circular e as premissas da Nova Economia. Ambas defendem o dinamismo, a não-linearidade e as relações horizontais, que ecoam em uma sociedade integrada e em rede, permitindo acelerar a moldagem de uma política na qual a eficiência da cadeia, somada a profundos aspectos éticos, atua como eixo da sustentabilidade.

 

Sem dúvida nenhuma, ainda existe muito a ser feito em termos de sustentabilidade - tanto no Brasil quanto no mundo todo. Mas não podemos esquecer tudo que já foi, e que ainda continua sendo feito. Em relação à Nova Economia, ela representa um grande passo não somente no cenário econômico, como no quesito ambiental. O progresso possibilitado nessa área só comprova que a aposta na tecnologia é o melhor caminho, não somente para a lucratividade, como para a consolidação de negócios alinhados às necessidades e ao contexto da realidade contemporânea. Quem não se adequar a isso corre grande risco de ficar para trás, ou até mesmo deixar de existir, em um mundo que se movimenta em prol da sustentabilidade.

 

Diego Barreto é Vice-Presidente de Finanças e Estratégia do iFood e professor de estratégia, negócios digitais e nova economia. É mestre em administração pelo International Institute for Management Development (IMD Business School), com passagens acadêmicas pela  Fundação Getulio Vargas (FGV) e Fundação Instituto de Administração (FIA). Mentor Endeavor e da 500 Startups (Vale do Silício). É autor do livro NOVA ECONOMIA - Entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasileiro

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